

Cabos submarinos podem reforçar alertas de terremotos e tsunamis
Fibra óptica instalada no fundo dos oceanos para telecomunicações também pode detectar vibrações, deformações e movimentos submarinos. A tecnologia é estudada como complemento aos sistemas de alerta para terremotos e tsunamis, embora dependa de infraestrutura, processamento rápido e acordos com operadoras.
A tecnologia pode ampliar a capacidade de monitoramento de fenômenos submarinos que influenciam sistemas de alerta, inclusive para regiões que dependem de informações rápidas sobre terremotos e tsunamis. O método aproveita cabos de fibra óptica já instalados entre continentes, sem que eles tenham sido originalmente projetados para essa finalidade.
Uma das técnicas usadas é o Distributed Acoustic Sensing (DAS). Pulsos de laser percorrem a fibra e o retorno da luz permite identificar alterações no cabo. Com isso, dezenas de quilômetros podem funcionar como milhares de pontos virtuais de medição, capazes de registrar sinais acústicos e físicos.
Em um teste realizado no Mar Jônico, 28 quilômetros de fibra foram usados para acompanhar sinais submarinos. Um único cabo pode gerar até 86 terabytes de dados por dia, volume que exige sistemas capazes de diferenciar terremotos, ondas e outros eventos dos ruídos naturais do oceano.
A aplicação é considerada especialmente relevante para tsunamis. Dados dos eventos de Torishima, em 2023, e Kamchatka, em 2025, relacionaram deformações observadas na fibra a variações do nível do mar em determinadas frequências. A proposta é complementar recursos como os sistemas DART, que utilizam sensores de pressão no fundo do oceano e boias com transmissão por satélite.
A conversão de uma rota submarina em instrumento de monitoramento, porém, depende da posição do cabo, das condições locais, do método adotado e do acesso à estrutura das empresas responsáveis. Também é necessário processar as informações com velocidade suficiente para que elas possam ser usadas em alertas.
Outra possibilidade são os SMART Cables, cabos de telecomunicações que já incorporam sensores de pressão, temperatura e aceleração sísmica aos repetidores. A expansão desse tipo de rede dependerá de novas instalações, acordos com operadoras, integração aos centros de monitoramento e transmissão de medições confiáveis em tempo adequado.
Fonte: band.com.br
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