

Memória preserva história de doentes de lepra em Santana do Itararé
Relatos transmitidos por gerações reconstituem a trajetória de pessoas atingidas pela hanseníase no antigo Povoado dos Barbosas, no Norte Pioneiro. A história envolve pobreza, isolamento, preconceito e a possível destruição de suas moradias, ainda sem comprovação documental sobre a autoria do incêndio.
No início do século XX, o antigo Povoado dos Barbosas, então pertencente a São José da Boa Vista e posteriormente ligado à formação de Santana do Itararé, abrigava numerosas pessoas atingidas pela doença conhecida à época como lepra. A presença desses moradores é mencionada em relatos históricos e em um relatório de viagem produzido em 1922.
Segundo a tradição oral registrada pelo historiador Sirineu Mota Pereira, os doentes viviam separados da comunidade, em casas e ranchos simples, alguns cobertos de sapé. Sem condições de trabalhar, parte deles dependia de esmolas e alimentos. O relato também menciona sepultamentos em espaço separado dos demais moradores.
A memória preservada indica que, provavelmente em 1917, os doentes teriam pedido às lideranças de São José da Boa Vista encaminhamento para Curitiba, onde poderiam receber atendimento. Depois da saída, os ranchos e casebres onde viviam teriam sido incendiados, e alguns moradores, ao retornar, encontrariam suas casas e pertences destruídos.
A autoria do incêndio, contudo, não foi comprovada por ordem escrita ou notícia contemporânea. A obra de Sirineu apresenta versões distintas: uma atribui a destruição a homens ligados ao chefe político José Felicio Pereira, conhecido como Juca Felício; outra afirma que a intenção teria sido retirar os doentes do local e encaminhá-los para atendimento.
A história de Barbosas integra o contexto de isolamento adotado no Paraná nas primeiras décadas do século XX. Atualmente, a hanseníase tem cura, e o tratamento é oferecido gratuitamente pelo SUS, sem necessidade habitual de internação. No Norte Pioneiro, a Associação Filantrópica Humanitas, de São Jerônimo da Serra, é lembrada pelo atendimento, acolhimento e cuidado a pessoas atingidas pela doença.
Fonte: NPDiário (Jacarezinho)
Informação que importa, direto do Diário Norte Pioneiro.
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